O ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado nas eleições de 2026, Mauro Mendes, reagiu de forma contundente à deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, e afirmou que não cometeu qualquer irregularidade. Em um longo pronunciamento divulgado após o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, Mauro declarou que a investigação é fruto de uma articulação política promovida por adversários às vésperas das eleições e garantiu que não desistirá da disputa. “Não fiz nada de errado e não tenho nada a temer. Nenhuma armação ou sacanagem da turma da velha política vai me fazer desistir de trabalhar pelos mato-grossenses. Vou continuar lutando com todas as minhas forças para que Mato Grosso não volte a ser comandado por políticos malandros, medíocres e mentirosos”, afirmou.
Segundo Mauro Mendes, esta não é a primeira vez que enfrenta uma investigação da Polícia Federal. Ele relembrou que, em 2014, quando exercia o mandato de prefeito de Cuiabá, sua residência também foi alvo de busca e apreensão, episódio que, segundo ele, provocou graves prejuízos pessoais, familiares e financeiros. O candidato afirmou que sua família passou por uma grande humilhação, que bancos cancelaram cartões e linhas de crédito, empresas deixaram de negociar com seus negócios e diversos contratos foram rompidos. Conforme relatou, o impacto foi tão severo que suas empresas acabaram entrando em recuperação judicial e ele chegou muito próximo da falência.
Mauro destacou que a investigação daquele período durou aproximadamente três anos e terminou com parecer favorável da própria Polícia Federal, acompanhado pelo Ministério Público Federal, culminando no arquivamento do caso pela Justiça por inexistência de irregularidades. Para ele, aquele episódio demonstra que investigações podem causar enormes prejuízos antes mesmo da conclusão definitiva dos fatos. “Quase quebrei naquela época. Três anos depois reconheceram que eu não tinha feito absolutamente nada de errado”, recordou.
Ao comentar a nova operação, Mauro afirmou que policiais federais estiveram em sua residência, na empresa de sua família e em outros endereços ligados à investigação. Segundo ele, em sua casa os agentes apenas recolheram seu passaporte, medida cautelar determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Apesar disso, afirmou que irá colaborar integralmente com as autoridades e pediu apenas que a investigação seja conduzida com rapidez. “Pode investigar o quanto quiser. Só peço que não demore três anos como aconteceu antes”, declarou.
Grande parte do pronunciamento foi dedicada à defesa do acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi, que está no centro das investigações da Operação Heritage. Mauro explicou que a origem da controvérsia remonta a 2009, quando o Estado bloqueou recursos da empresa em razão de uma cobrança tributária. Após anos de disputa judicial, segundo ele, o Estado perdeu a ação e precisaria devolver cerca de R$ 580 milhões, valor atualizado até 2024. Diante desse cenário, afirmou que a Procuradoria-Geral do Estado negociou um acordo para encerrar definitivamente o litígio mediante o pagamento de R$ 308 milhões, economia que, segundo sua versão, representou centenas de milhões de reais aos cofres públicos.
O ex-governador ressaltou que o acordo não foi uma decisão isolada do Executivo. Conforme afirmou, ele passou pela análise de diversos procuradores do Estado, foi homologado pelo Poder Judiciário e considerado legal e vantajoso pelos órgãos de controle, incluindo o Tribunal de Contas, o Ministério Público de Contas e o Ministério Público Estadual. “O pagamento feito pelo Governo do Estado foi totalmente correto e dentro da legalidade”, declarou.
Mauro também rebateu uma das principais suspeitas levantadas nas investigações e afirmou que os fundos de investimento que receberam os recursos do acordo não possuem qualquer ligação com ele ou com integrantes de sua família. Segundo ele, não existe participação societária, relação financeira ou qualquer vínculo entre seus familiares e as empresas beneficiadas pelos pagamentos.
No pronunciamento, Mauro Mendes direcionou duras críticas aos seus adversários políticos. Ele afirmou que os candidatos ao Senado Pedro Taques e Janaína Riva apresentaram denúncias sobre o caso há mais de um ano utilizando, segundo ele, “narrativas falsas”, “mentiras” e “malandragens processuais”. Mauro acusou Pedro Taques, ex-procurador da República, de utilizar sua experiência e seus relacionamentos para induzir autoridades à abertura da investigação e afirmou que o relatório elaborado pela Polícia Federal seria um “verdadeiro copia e cola” da representação apresentada pelo ex-governador.
Na avaliação de Mauro, a deflagração da operação não pode ser analisada isoladamente do contexto eleitoral. Ele afirmou que, nos últimos meses, Pedro Taques, Janaína Riva, o senador Carlos Fávaro e o senador Jayme Campos estiveram diversas vezes em Brasília fazendo pressões e anunciando, inclusive para jornalistas e lideranças políticas, que uma operação da Polícia Federal seria realizada contra ele.
O candidato ao Senado também relacionou a operação aos acontecimentos políticos dos últimos dias. Segundo Mauro, há sete dias Jayme Campos teve frustrado seu projeto de disputar o Governo de Mato Grosso após ser derrotado internamente no União Brasil; três dias antes da operação, Pedro Taques foi homologado candidato ao Senado pelo grupo político ligado ao PT e ao senador Carlos Fávaro; e, dois dias antes da ação policial, Janaína Riva deixou de integrar a chapa majoritária liderada pelo governador Otaviano Pivetta. Para Mauro, a sequência dos fatos evidencia uma estratégia para enfraquecer seu grupo político justamente às vésperas da campanha eleitoral.
O ex-governador também levantou questionamentos sobre o vazamento das informações da investigação. Segundo ele, embora o procedimento tramite sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, seus adversários já anunciavam previamente a data da operação. Mauro afirmou que sua defesa solicitou oficialmente acesso aos autos no mesmo dia da operação e ainda não havia obtido cópia integral do processo, enquanto documentos sigilosos já circulavam entre veículos de imprensa. “Como pessoas de fora sabiam até a data da operação se o processo estava em segredo de Justiça?”, questionou.
Durante o pronunciamento, Mauro fez novos ataques ao grupo adversário. Disse que seus opositores tiveram gestões marcadas por escândalos, prisões de secretários, incompetência administrativa e pelo episódio conhecido como “Grampolândia”, além de afirmar que não conseguiram resolver problemas históricos como o abastecimento de água em Várzea Grande. Para ele, o grupo adversário tenta utilizar a investigação como instrumento político para compensar a falta de resultados administrativos.
Ao concluir a manifestação, Mauro voltou a afirmar que acredita na Justiça, disse confiar em Deus e garantiu que colaborará com todas as etapas da investigação. O candidato reiterou que não praticou qualquer ato ilícito, que a Procuradoria-Geral do Estado também atuou dentro da legalidade e afirmou ter convicção de que, assim como ocorreu na investigação de 2014, os fatos serão esclarecidos e sua inocência reconhecida. “Não vai ser uma armação eleitoreira que vai parar o nosso projeto de trabalhar pelos mato-grossenses e pelos brasileiros. Vou continuar lutando com todas as minhas forças para que políticos malandros, medíocres e mentirosos não voltem a dominar Mato Grosso”, concluiu.
A Operação Heritage investiga supostos crimes contra o sistema financeiro nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso de informação privilegiada relacionados ao acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e a empresa Oi. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que a operação financeira possa ter sido utilizada para viabilizar o desvio de mais de R$ 308 milhões em recursos públicos. A investigação segue em andamento, e não há, até o momento, denúncia ou condenação dos investigados, que permanecem amparados pela presunção de inocência e pelo direito ao contraditório e à ampla defesa.



























